quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Mein Leben nach Rammestein

Gott weiß ich will kein Engel sein
Sex ist ein Schlacht
Liebe ist Krieg
ich tu dir weh und du jammerst laut
Ich warte bis es dunkel ist
die Zeit steht still und es wird Herbst

am Ende bleib ich doch alleine
Keiner hier weiß von meiner Einsamkeit
dieselbe Sache und das alte Leid
die Zeit steht still und mir ist kalt

So you think you can tell

Imaginem um veleiro de pequeno porte, uma chalupa à vela, partindo do Brasil rumo à Inglaterra...

Agora imaginem uma velejadora (literalmente, de primeira viagem) nessa mesma chalupa, atravessando o Oceano Atlântico debaixo de tempestade e com outros dois velejadores igualmente inexperientes.

Sem GPS. Carregando apenas um instrumento rudimentar de orientação: um confuso instinto materno. Mas basta um minúsculo erro no tal aparelho (a mudança hormonal do mês, por exemplo) para este perder a precisão e causar um desvio quase irreparável na rota da embarcação. E se essas imprecisões acontecerem com regularidade, toda a trajetória dos três tripulantes estará comprometida.

Não sei em que momento os erros começaram a ficar óbvios, mas eu tinha traçado uma vida diferente para a minha filha antes de ela nascer.

Nos planos, não havia chupetas ou televisão; tinha muito amor, conversas suaves ao pé do berço e cantigas de ninar; horas de música clássica e pintura em dupla; e, acima de tudo, eu pensava em ter mais entendimento e diálogo e dar menos palmadas e gritos de reprovação. 

Mas a realidade tem sido bem mais complicada e mais cheia de surpresas do que previ... E, quase vinte e dois meses depois de fitar o mundo pela primeira vez, a minha doce e inocente menina não é mais tão doce nem ingênua assim. Ela parece que entendeu que, aqui, só se ganha as coisas no berro e com muito choro e vômito pela casa!

Mas pior do que todas as crises (mal cheirosas) de pirraça da minha filha ou da pesada culpa por me sentir a mãe mais despreparada do planeta é ser julgada por pessoas que nunca deixaram o conforto de seus portos seguros e que assistem à nossa chalupa desviar da rota, colidir em obstáculos e possivelmente naufragar mais adiante, cheias de teorias.

Ah, como eu queria que vocês estivessem aqui...
So, so you think you can tell 
Heaven from Hell,
blue skies from pain.
Can you tell a green field from a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

We're just 'three' lost souls swimming in a fish bowl,
year after year,
Running over the same old ground.
What have you found? The same old fears.
Wish you were here.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Confissões de uma Histérica

Nossa tão sonhada e planejada viagem de oito dias à Itália começou com o pé direito. Na verdade, com os dois pés. E na sala VIP para viajantes frequentes portadores do cartão fidelidade de platina. Graças ao meu marido, ter acordado às cinco horas da manhã para pegar um táxi e ir até o Terminal 1 do Heathrow valeu muito a pena, e não custou nenhuma das quase 19 libras cobradas por cada pessoa que deseja desfrutar desta sala, sem o tal cartão.

Para ser sincera, tudo o que dependeu do planejamento e da realização antecipada dele saiu com perfeição. Não houve correria de última hora para comprar passagens de trens, não houve supresas desagradáveis nos hotéis reservados, não houve um dia em que ele não gastasse uma boa quantia numa refeição requintada a três.

Mas o calor de 38º do verão italiano (inusitado para quem mora na Inglaterra há 17 meses) foi o suficiente para estragar meu humor...

Em realidade, ele foi apenas mais um pretexto para meus rompantes de cólera contra qualquer incômodo, desde o preço exorbitante de seis raviólis de espinafre e ricota e de uma piadina com tomate e maionese até a falta de civilidade dos garçons italianos! E o que parecia uma qualidade um pouco exagerada de uma típica leonina (a de reagir dramaticamente a qualquer pequeno infortúnio), provou ser a neurosa mais investigada de Sigmund Freud, a histeria. E lá estava eu, gritando palavrões horrendos em inglês para o meu marido nas ruas de Milão, de Florença, de Pisa e pelos canais de Veneza!

Pois é... Desde a adolecência, eu já apresentava o sintoma clássico da histeria dissociativa: o de sentir os estímulos que aconteciam ao meu redor com muita intensidade. Mas foi só em 2005, quando passei da condição de turista a residente legal da Índia, que o quadro se agravou: quando comecei a trabalhar no país e a lidar, diretamente, com a ineficiente burocracia estatal, com os funcionários corruptos do departamento de imigração, com o calor insuportável de Chennai e as monções torrenciais de Bangalore, com o tráfego infernal e a poeira persistente... Enfim, quando meu primeiro ano de paixão intensa pela Índia se transformou em uma relação menos baseada na magia da cultura local e eu percebi todos os problemas diários que uma mulher estrangeira precisava enfrentar naquele país. Com o agravante da minha neurose!

E, assim, faz seis anos que minhas explosões de mau humor aumentam de maneira inversamente proporcional ao pavio da minha paciência! Como fazer, todos os dias, uma tempestade num copo sempre cheio de água.

E, hoje, não sei se é por eu estar num outro país estranho (sem a família e com pouquíssimos amigos por perto para conversar!), casada com uma pessoa tão diferente de mim, cuidando praticamente sozinha da minha menina e de uma casa de dois cômodos e só conseguindo trabalhar de madrugada (quando ela já está dormindo), mas o fato é que tenho tornado a vida de nós três numa crise neurótica constante de gritos insanos e desproporcionais por qualquer mudança mínima de planos ou até de temperatura.

E são as pessoas que mais amo neste mundo as que mais sofrem!