sábado, 12 de junho de 2010

Ainda não!

Três horas e meia. Esse foi o período mais longo que fiquei longe da minha filha em seus sete meses de vida. E, ao contrário do que imaginava, fui eu quem mais sofreu com a ausência, já que ela passou aqueles 210 minutos na companhia do pai, enquanto eu participava de um workshop sobre a gramática dos bretões.


Assim que entrei no carro, ela só me olhou de relance e voltou a se endireitar no seu assento para bebê, quase indiferente à minha chegada. Ou melhor, quase independente do meu organismo.

Foi quando percebi que a minha filha está crescendo e, aos poucos, saindo da nossa primordial relação simbiótica. Ela já senta sozinha, come papinhas e praticamente segura a própria mamadeira. Daqui a alguns meses, vai estar caminhando e ensaiando as primeiras palavras em dois ou três idiomas e, antes que eu possa me acostumar com as mudanças, vai entrar naquela fase “aborrecente” de sentir vergonha da mãe e não precisar nem mais dos seus conselhos.

É a natureza seguindo seu curso.

E para falar a verdade, desde a fecundação, tenho pouca certeza do que contribuí no desenvolvimento da minha Pequena. Depois que os gametas feminino e masculino se encontraram em meados de fevereiro de 2009, as sequências de DNA dos 23 pares de cromossomos da única e recém formada célula se encarregaram do resto e fizeram um trabalho mais perfeito que qualquer pintura de Michelangelo. Duvido que haja querubim mais lindo na Capela Sistina que o meu bebê, que já não é mais considerado como tal de acordo com a classificação do Centro Médico de Gosford Hill. Para os ingleses, ela está no meio-termo, na fase de transição de baby para toddler (cuja tradução em português seria a de criança que começa a andar) e, em breve, perderá os direitos a colo, chupeta e canções de ninar e será apenas uma child.

Eu sei que as mães colocam os filhos no mundo, porque eles são do mundo. Eu sei que, mais cedo ou mais tarde, a minha vai seguir seu próprio caminho sem olhar para trás. E eu sei que o cordão que nos unia como uma só pessoa já foi cortado há mais de sete meses. Mas ainda não estou pronta para voltar a ser um organismo independente dos sorrisos, chorinhos e travessuras da minha menina.

3 comentários:

Unknown disse...

Gostei muito deste texto! Depois das canções de ninar vem as histo-
rinhas que elas adoram... Curte muito tua Pequena pois no futuro serão estas belas lembranças que irão te acalentar! Bjos.

Anônimo disse...

Lindo texto, guria! Cada fase é linda, aproveita bem. E se a Pequena já dá gritos de independência é porque tu estás sendo uma ótima mãe!
Beijos

Anônimo disse...

Apesar de pai e mãe sempre acharem seu filho a criança mais bonita na face da Terra, essa Pequena é realmente linda e encantadora. A mistura deu muito certo!